Territorialidades financeiras no Brasil: Análise de uma década de mudanças e permanência (1993-2003)

Ivan Jairo Junckes

Resumen


As alterações ocorridas no sistema financeiro brasileiro entre os anos de 1993 e 2003 evidenciam um intenso rearranjo de forças entre os estratos capitalistas que tencionaram a inserção subordinada do país ao recente ciclo de liberalização mercantil, ampliando especialmente aqueles segmentos subsumidos no capital financeiro transnacionalizado. A crescente influência dos bancos no conjunto social instaura um novo regime de gestão cujas normas e instrumentos que se estabelecem sobre os conflitos sociais e sobre a ordem pública, reduzindo ou neutralizando as resistências históricas dos seus setores assalariados. Assim, os conglomerados financeiros passaram a coordenar territorialidades específicas que suplantaram os referenciais nacionais e consagraram a ordem fluida dos fluxos financeiros mundializados, gerando-se novos parâmetros para a pesquisa e análise geográfica de suas relações. A metamorfose nas relações de poder suportadas pelos financistas é, então, analisada pelo conceito de territorialidade e suas escalas utilizadas para abranger a complexidade da apropriação desigual de recursos utilizados para alcançar determinados objetivos estratégicos em determinados limites espaço-temporais. Através desses referenciais, identifica-se como os agentes da reestruturação do sistema financeiro ocorrida nos anos noventa no Brasil desenvolveram novas territorialidades resultantes de cálculos intencionais usados para influenciar, afetar ou controlar o comportamento de grupos envolvidos na disputa de recursos.

Texto completo:

HTML (Português)


Copyright (c)

RCUB revistesub@ub.edu Avís Legal RCUB Universitat de Barcelona